Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

compasso de espera

Como uma imposição repentina ao pensamento, me dou conta de que falta apenas uma semana para a defesa. Não poderei mais estar tranquila enquanto tudo isso não passar. E há o trabalho, as obrigações, o trânsito e o calor do Rio de Janeiro, os compromissos, o teatro saindo de cartaz. Coração pesado, opresso, como se de repente fosse difícil respirar. A minha defesa de dissertação foi um dia de alegria tão intensa que eu mal dormi na noite que se seguiu. De onde veio aquela felicidade eu não sei, mas me parece que ela foi única, pois outro era o momento. Acho que é isso que começa a me perturbar, a intensidade do que se aproxima. Ironicamente, falei de ficção e cegueira num primeiro de abril. Agora falarei de coisas bem mais difíceis (para mim) num dia que está com todo jeito de dia da verdade

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