Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Emily Dickinson: Things are not what they are ―

Quem quer que desiluda
Uma só Alma Humana
Por erro ou irreverência
Todo o mal pagará.

Como o Pássaro ingênuo
Como a vívida Estrela
Até a indicação sinistra
Nada é o que é ―


Whoever disenchants
A single Human soul
By failure or irreverence
Is guilty of the whole.

As guileless as a Bird
As graphic as a Star
Till the suggestion sinister
Things are not what they are ―

DICKINSON, Emily. Alguns poemas. Trad. José Lira. São Paulo: Iluminuras, 2008, p.60-61.

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