Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 30 de outubro de 2011

blogues

Há blogues cuja sofisticação me dá, por contraste, uma incrível sensação de amadorismo. 

6 comentários:

Marcantonio disse...

Que nada. Creio que esse troço é bom mesmo para ser utilizado por amadores (aliás, quão mais bonita é a palavra amador em relação a palavra profissional!). Certa sofisticação, certo profissionalismo nos blogues só trazem uma sensação de dejà vu, como se se referenciassem em coisas já realizadas em outras mídias.

Desconfio que essa é uma observação mais de natureza técnica, não?

Abraço.

Mariana disse...

Talvez seja uma questão técnica mesmo, a apresentação, certo esmero somado à erudição, que dá uma espécie de verniz ao pensamento. Até eu me dar conta de que não é nada disso, que pensamento bem organizado não tem nada a ver, pelo menos comigo, que eu gosto mesmo é do Cortázar.

Por outro lado, isso que você levanta, o profissionalismo nos blogues, tira o aspecto de rascunho, de andaime do processo, o viço da árvore que vai brotando nos posts.

Técnica é uma coisa complicada, porque estamos tomados demais por ela para um distanciamento crítico: eu não sei a diferença entre iphone, ipad, ipod, não sei o que é um tablet, não sei dirigir. Uma hora, como o Antonio Candido, vou dizer: sou alguém do passado. Outro dia, numa reportagem sobre robótica, fiquei pasma sobre o processo de integração crescente homem-máquina. Porque é uma realidade que se impõe, isso até já foi dito por você em outro post, a dependência em relação às novas tecnologias.

Mas amo os livros como poucas coisas nesta vida. Tenho muito a aprender, inclusive nos blogues que frequento.

Abraço.

Helena disse...

O blog, para mim, é um caderno de apontamentos, esparsos. Desorganizados. Contraditórios. Como a vida, ela mesmo!
Mas isso sou eu, que não o faço para ensinar seja o que for, nem para convencer seja quem for, do que quer que seja...
O que me seduziu neste seu blog é que também ele me pareceu ser assim, num fundo claro e arrumado, mas, muito mais do que eu faço (ou serei capaz) muito bem escrito.
É sempre um prazer ler-te e, como já disse uma outra vez, adivinhar-te...

Abraço, Mariana

Mariana disse...

Caríssima Helena, sou tão apaixonada pela palavra e suas possibilidades que me deixo levar por muitos caminhos, e acho que você flagrou algo muito interessante: o fundo claro e arrumado contraposto a algo que parece querer fugir da forma, se assim posso me expressar. É um caos que vou domando.

Admiro muitíssimo sua independência de espírito, seu senso de humor. E recebo, assim, de bom grado seu elogio, porque amo muito tudo isso: a escrita, a palavra, a linguagem, as possibilidades de troca.

Muito obrigada! :)

Cristiano Marcell disse...

Prezada Mariana, boa noite!

Creio que serei um eterno amador. Não consigo me imaginar um grande profissional da escrita. Esfoço-me bastante, dentro de minhas limitações , para aprender não somente a manusear as ferramentas que disponho, como também postar textos, poemas, figuras,...com conteúdos interessantes.

É um prazer e uma terapia poder colocar meus pensamentos e ideias

Muita paz!!!!!

Mariana disse...

Prezado Cristiano: também no meu caso a escrita tem esse efeito de catarse, uma necessidade que só se resolve no ato de escrever, do jeito que eu conseguir.

Estamos mesmo precisados de paz aqui no Rio de Janeiro - vide o caso do Marcelo Freixo.

Abraço.