Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

sensibilidade

Uma história paleontológica antiga ― e há alguma que não seja? ― me sensibilizou: era na verdade a história que entrevi através da notícia de um crânio de criança encontrado com um ferimento na cabeça, suposta causa da morte. Fiquei imaginando essa antiga criança que sobreviveu ao tempo, a muitas camadas de tempo, e que paradoxalmente pisou durante tão pouco tempo na face da terra. De que violência terá perecido? 

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