Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

muito me apraz ler koisas komo exta

“Abila Sanhes foi um omem meresedor de atensão i de apreso. Soldado valorozo, onrô a sua instituisão na teoria i na prátika. Teve um alto konseito de lialdade i xegou mesmo a ir ao kampo de batalia. Omen de kultura, ensinou siênsias a jovens i adultos. Pensador, eskreveu bastante em jornais i deixou algumas obras inéditas, entre elas ‘Másimas de Kuartel’. Poeta, versifikava kom grande fasilidade em vários jêneros. Artista do lápis e da pluma, encantounos várias vezes kom as suas kriasões. Linguista, era muito amigo de traduzir as suas próprias produsões para o inglês, o esperanto e outros idiomas.”

CORTÁZAR, Julio. O jogo da amarelinha. Trad. Fernando de Castro Ferro. 15. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009, p.434, capítulo 69.

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