Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

em sonho

Foi pouco antes de dormir, naquela passagem que ainda é vigília mas também o desmaiar da consciência que antecede o sono. Então o susto se deu. Menos que susto, mais um espanto. Uma lembrança desagradável, qual um esgar da consciência, ou do inconsciente invadindo a consciência antes da hora, do momento do sonho. Entre a vigília e o sonho, a surpresa de algo muito invasivo, como se fosse um aviso. O arco da noite se completa, e pela manhã outra surpresa, algo insólito, gerando em mim uma interrogação. Que encontrou ressonância no acontecido antes de dormir, uma coisa lançando luz, ou sombras, sobre a outra. Mas não deixa de ser uma libertação. 

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