Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

eu vi o sol morrendo...

Ontem, enquanto voltava, presenciei, pela tangente, um por do sol nunca antes assim entrevisto. Eu tinha, do ônibus, uma fração de paisagem que se movia em lentidão, e então, quando parecia que o sol já havia se posto, percebi, entre ou além dos prédios, um amarelo intenso no céu, filtrado pelas árvores, que pareciam cintilar. Claro que o contraste imediato foi a iluminação artificial do Natal, reservada para a noite. Aquela cintilação momentânea, criada por uma conjunção especial de horário, lugar, olhar, disposição da paisagem, de um amarelo ouro vibrante e intenso, era um presente da natureza a quem se dispusesse a tirar os olhos do aqui e agora. Pensei também que fenômeno tão belo não combinava com a palavra crepúsculo.

2 comentários:

Helena Dias disse...

Bom dia Mariana!
Neste início de inverno, desejo-te um bom verão!
Há uma lindíssima canção de um dos nossos 'cantautores', que num belíssimo poema, diz:
"aqui é quase inverno, aí quase verão (...) o Brasil também tem noites de S. João e mar..."

V. aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=QGhgrFa4oSA

Mariana disse...

Pode alguém ser quem não é?

Fiz esta pergunta ontem à minha analista... Obrigada pela bela canção inverno-verão. O jogo das estações como um sucedâneo das diferenças, das mudanças, das transformações...

Vou, quando estiver de férias, tirar umas fotografias do verão.

Tenha um ótimo dia, Helena!