Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 24 de dezembro de 2011

espírito natalino III

No supermercado lotado já pela manhã ― meu Deus, como fui parar lá hoje? ―, sol escaldante, um funcionário, rapaz jovem, repondo o estoque, distraía-se do dia que promete, cantarolando Renato Russo e suavizando esse imponderável que vai no meu coração: é preciso amaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar as pessoas como se não houvesse amanhã... Já na fila do caixa presenciei um bate-boca.

2 comentários:

Luiz disse...

Havia muitas formas de desejar Feliz Natal e um ano 2012 lindo para você. Mas resolvi fazer por este canal aqui, posto que ele é muito querido para mim e creio que para você também. Meu silêncio recente pode ser lido como alguns meses para a qualificação e um segundo capítulo por escrever.No mais Feliz Natal!!!
Meu abraço!

Mariana disse...

Luiz, muito obrigada! Você sabe que o sentimento é recíproco. E está certo quanto ao blog: de fato ele se me tornou algo vital, no sentido de cheio de vida.

Quanto ao silêncio, bem, tornei-me uma especialista no assunto, nós temos necessidades íntimas que precisam ser observadas. Adorei ter lido recentemente "A vida íntima de Laura": foi um aprendizado.

Muito obrigada pela generosidade de suas palavras. Forte abraço!