Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 17 de dezembro de 2011

Emily Dickinson

A Voz que para mim é um Mar
É para outros chã ―
A Face que nasce a Manhã
Fana sob outro Olhar ―

Que diferença há em Substância
Se o que me é Soma
A outras Finanças só alcance a
Pobreza Extrema!


The Voice that stands for Floods to me
Is sterile borne to some ―
The Face that makes the Morning mean
Glows impotent on them ―

What difference in Substance lies
That what is Sum to me
By other Financiers be deemed
Exclusive Poverty!

DICKINSON, Emily. Não sou ninguém: poemas. Trad. Augusto de Campos. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2008, p. 86-87.

Nenhum comentário: