Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 17 de dezembro de 2011

brisa

Depois de um dia de calor intenso e abafado, a madrugada permite o frescor de uma leve brisa. Não há mais qualquer dúvida de que é verão no Rio de Janeiro ― sei que é verão quando começo a sentir saudade das estações mais amenas. A culpa é toda de Hades, que raptou Perséfone. 

autumn breeze por Renae Schoeffel

2 comentários:

Marcantonio disse...

E essa brisa? Que vento mitológico a traz?

É, no verão sempre anseio estar noutro lugar, seguindo na contramão da maior parte das pessoas.

Mariana disse...

Prezado Marco, bons ventos mitológicos o tragam de volta a este espaço...

Nunca consegui gostar do verão. Cachoeiro de Itapemirim, cidade onde cresci, é famosa pelas temperaturas elevadas. De lá trago a memória do tédio e do desconforto climático.

Abraço.