Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

sentimentos (infinitamente) mínimos

Sem modéstia, da realidade eu sei quase tudo. Quase sufoco de tanto saber. Só que agora estou achando que a realidade é uma das faces do saber,  a mais forte quem sabe, porque é com ela que eu posso escrever coisas como esta, recorrendo a termos consagrados como “face”, “saber” e (inclusive) “realidade”.

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