Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Led Zeppelin - Kashmir



Voltei a sentir alegria. Mas só me dei conta disso quando voltava para casa, à noite. Entrei na Travessa de bobeira, e de repente havia um rosto conhecido me olhando do outro lado da estante de DVDs, um amigo que acabou de se empregar lá e que não via há algum tempo, fazendo uma espécie de jogo de reconhecimento comigo. Depois da análise, passei num shopping nas proximidades, e já que estava lá, resolvi que ia aproveitar a liquidação e comprar um vestido. Quase não os uso, mas o da defesa já está providenciado. Rodei várias lojas, nada que eu experimentava me agradava, e quando já tinha desistido e estava indo embora resolvi voltar, e tentar outros pavimentos do shopping. E aí encontrei um vestido bacana, e em outra loja, próxima, duas blusas bonitas. Então era hora de voltar. O que o Led Zeppelin tem a ver com isso tudo? É que passei numa banca e folheei uma Rolling Stone edição especial, com as 500, se não em engano, melhores canções de rock. Não comprei, ainda. Na passada de olho, vi essa música, Kashmir (aqui, em excelente áudio e vídeo), e aí lembrei dela, e lembrei que a escutava e a apreciava bastante na época da Universidade. Poderia ter postado Stairway to Heaven, mas é uma música que pede paciência, meio arrastada, ao passo que esse som tem uma potência legal. Se a alegria vai ser efêmera ou vai me dar o prazer de sua companhia por mais tempo, só mesmo o tempo...

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