Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 3 de abril de 2011

a capa da veja desta semana é de fazer rir coelhinho da páscoa


A singeleza de tudo: "VEJA teve acesso a documentos da CIA, FBI, Tesouro americano, Interpol e Polícia Federal que mostram que extremistas islâmicos usam o país como base de operações e aqui aliciam militantes. Encontramos e fotogramos cinco deles." Então é isso: extremistas islâmicos agindo no Brasil, deixando-se fotografar pela Veja.... No site, o pouco que se encontra mostra que não há qualquer sustentação para a chamada da capa (aqui). Segundo o semanário, o discurso dúbio e incoerente da PF não apenas facilita o enraizamento de organizações extremistas no Brasil como cria grandes riscos para o futuro imediato. Impressionante como este panfleto semanal acho que faz jornalismo. É tudo muito ridículo. Mas há um agravante: o sutil incitamento da revista ao racismo, ainda mais quando se considera a convulsão política no norte da África. Basta olhar as imagens que ilustram a capa. Enquanto isso, gangues de skinheads perseguem negros e gays pelas ruas de São Paulo (aqui), mas chamar isso de terror não encontraria ressonância nessas estruturas mentais mais arraigadas, que preferem, por algum esquematismo de pensamento, acreditar que o mundo ainda está na Guerra Fria, enquanto uma guerra viva, pulverizada e constante galopa sobra a vida das pessoas.

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