Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

descobrindo novos blogs

No raposas a sul: "O carácter excepcional da experiência poética não pode ser assimilado a nenhum sistema ético, estético ou gnoseológico determinado. A questão consistiria então em saber se a poesia é ela mesmo susceptível de dar acesso à virtude, à beleza, à verdade. Se nós consideramos a ética, por exemplo, nós vemos que ela se refere à conduta do homem relativamente a certos valores, o bem, o mal, ao que conforma, ou não, o erro, a falta, a coragem. Mas estas noções são de todo estranhas à poesia que não têm nada a ver com a ética: ela é uma ética profunda. Ela é, no fim de contas, uma maneira de ser, de se conduzir em profundidade, uma atitude de inteireza face ao real. A poesia é uma tentativa de purificar a visão, de abrir o olhar sobre as coisas na sua plenitude. Creio que a poesia sustida por uma conduta integral é uma das formas maiores duma ética perfeita." (Homenagem: Roberto Juarroz).

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