Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Às crianças que saíram de casa hoje para estudar, sem volta

2 comentários:

Tinzia Menezes disse...

Meu Deus... que coisa mais triste esse massacre. Imagina o desespero das criancinhas, diante do monstro da covardia. Imagina o sofrimento das famílias... Que Deus esteja com elas neste momento pesaroso.

É impossível não chorar com ums tragédia assim, ainda mais com essa melodia tão cortante. Espero que nenhuma pessoa próxima a você tenha sido atingida. Um grande abraço, e fica bem, tá?

Mariana disse...

Tínzia, tudo isso é muito horrível, não dá pra fingir que não está acontecendo. Trabalho próximo de onde aconteceu tudo, em Realengo, então hoje quando fui trabalhar as avenidas estavam um pouco vazias.

As pessoas do meu trabalho disseram que isso abriu um precedente, vai voltar a acontecer. Bem, eu trabalho numa escola federal, a segurança é boa, mas o clima hoje por lá estava estranho, não só por ser um ambiente escolar, mas pela proximidade.

Algumas alunas minhas relataram hoje que conheciam as crianças que morreram, então é tudo muito triste. A escola tem um componente de esperança muito grande, um investimento afetivo por parte de quem a procura, então eu não consigo aceitar a morte dessas crianças (quer dizer, a morte de qualquer criança parece mesmo um insulto, uma ofensa), era para ser um dia como outro qualquer na vida delas, a gente sabe da luta das pessoas menos favorecidas para manter os filhos na escola, e essas crianças perderam a vida onde tinham ido buscar, como dizem o Chico Buarque e o Paulinho da Viola, um lugar no futuro.

Vou ficar bem, pode deixar, obrigada. Outro abraço!