Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


domingo, 22 de maio de 2011

hifens duplos

O que queria dizer do hífen em post anterior acabei não dizendo: há uma situação muito específica em que recomenda-se, para efeito de clareza, repetir o hífen na linha seguinte no caso de coincidir o hífen e a separação silábica no final da linha  (conforme o novo acordo ortográfico). Matéria controversa, como se pode conferir AQUI, haja vista que o procedimento servia apenas para evitar equívocos na fase da tipografia, soando datado quando o computador reconfigurou a maneira de escrever, eliminando a necessidade da translineação. O emprego do hífen já me era difícil: com o novo acordo, eu desisti de tentar entender, recorrendo, para as dúvidas ortográficas (estas e quaisquer outras) ao Pequeno vocabulário ortográfico da língua portuguesa, que levo sempre comigo para a sala de aula, para dirimir qualquer dúvida que apareça, as minhas, principalmente. Mas não me escapou a função suplementar para os hífens duplos: manter apartado o que não pode estar junto. Quem me contou sabia o que estava dizendo, mesmo sem percebê-lo.

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