Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

silêncio

O silêncio da casa, após uma inacreditável sexta-feira de muitos ruídos. Eu, o silêncio e as palavras. Ao longe, o ruído de um avião. Próximos, ruídos da rua. Aprecio deveras o silêncio. Ao mesmo tempo, é-me inevitável fazer alguma espécie de barulho, por exemplo escrever. Escrever é romper com o silêncio, mesmo quando ele é desejado. Para o burburinho do mundo é necessário desenvolver uma espécie de proteção acústica interna, tal como a descreve Paulo Mendes Campos em seu esplêndido relato sobre o LSD: "Era como se estivesse acolchoado por dentro." Preciso terminar de postar esse relato.

2 comentários:

Luiz disse...

Tenho cultivado o silêncio de maneira bem ampla e tem sido bom. Tagarelar menos. Saudades de você!!! Beijos!

Mariana disse...

Também eu, Luiz. Novas possibilidades de existir. Obrigada pelo carinho. Beijo!