Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 15 de janeiro de 2011

Bob Dylan: Just Like a Woman (cover)

5 comentários:

josépacheco disse...

Eu gosto muito também, Mariana, de Dylan. Mas gostaria - se lhe apetecesse, claro - que nos explicasse (e, claro, certas coisas nem são «explicáveis») a sua verdadeira loucura por Dylan, que a fez pensar em usar uns versos dele como epígrafe da sua tese. Tem que ver com uma época? Com uma certa consciência militante? Com a força e a convicção das letras? Com a música? Com tudo isto? Com nada disto? E que afinidades encontra entre ele e Sérgio Buarque? (Ou, aí, trata-se da própria Mariana que é a ligação, porque os ama muito aos dois?)

Achei piada à maneira como Luigi (que tem estado um tando calado, o que é pena) escrevia que a Mariana, às vezes, precisa de ser «cutucada» para começar a falar sobre certos assuntos de que deixa uma pérola aqui, uma insinuação ali...

Mariana disse...

Muito interessante o comentário, voltarei a ele com calma, quando o Sérgio Buarque der trégua. Mas desde já eu fico agradecida pelo interesse, haja vista que estou rodeada de coisas do/sobre Bob Dylan que me vi na contingência de adiar, e poder falar disso, para mim, é simplesmente fantástico.

Mariana disse...

P.S. Todas as questões são pertinentes, é tudo muito apaixonante, move aí a força da poesia, um certo misticismo, e nem sei mais o quê. Há um imponderável nisso tudo. Eu me encanto, por exemplo, com a simplicidade do verso que diz: "The answer, my friend, is blowin' in the wind /The answer is blowin' in the wind".

Mas agora tenho que voltar para o Sérgio Buarque, paixão com horário marcado pela academia.

josépacheco disse...

raios. paixão com hora marcada não se torna um tanto esapaixonante? estou brincando, sabe? bom trabalho, Mariana.

Mariana disse...

Obrigada. Paixão com hora marcada é tirania, não há dúvida. Nada mais tirânico do que fazer do que a gente gosta uma obrigação, pior ainda se acadêmica, pois há regras, prazos, coisinhas miúdas e a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).