Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Mozart - Sinfonia nº 40 (versão clássica)

6 comentários:

Luigi disse...

Essa é linda. Dá vontade de entender mais de música clássica.

Mariana disse...

Atravessada por uma nota inconfundível de tristeza.

Acho que ouvir é mais importante que entender, embora sempre ajude. Vou rever "Amadeus" uma hora dessas.

Luigi disse...

Amadeus é bacana, agora em se tratando de Mozart, nada supera seu Réquiem...Aquilo sim me atravessa e me desconcerta. Sem falar no trecho que, salvo engano, foi utilizado por Pasolini na trilha de Teorema...Ave, que beleza! Beijos!

Mariana disse...

Mais um verbete para a enciclopédia da minha ignorância: "Sem falar no trecho que, salvo engano, foi utilizado por Pasolini na trilha de Teorema..."

Hoje eu estou particularmente susceptível a Mozart, igual àquele cidadão de "Vapor barato" e o beijo de novela: tão à flor da pele que qualquer nota de Mozart me faz chorar, nem precisa ser o Réquiem.

Já verti algumas lágrimas insensatas, nunca pensei que terminar uma tese fosse tão penoso.

Bem, aí vai o desabafo. Beijos!

Luigi disse...

Só agora li sua resposta. E vi você vertendo lágrimas. Só posso dizer calma, está acabando. Quanto a mim, estou inseguro, tenho 20 páginas de um capítulo que precisa de umas 50, mas à medida que vou escrevendo acho que não está consistente. Mas, pensando no que você disse, decidi escrever, se vai ter validade, ser aproveitado, só o tempo vai dizer. Beijos!

Mariana disse...

Ontem eu estava especialmente "trágica", teve uma hora que desatei a. E entendi que só pode ser o esforço debilitante dessa maratona exaustiva.

Não há outro caminho. Escreva.
Beijos!

P.S. Chegou no meu e-mail um recado seu de uma rede social. Para acessá-lo, eu tinha que me cadastrar. Como debandei de quase tudo na internet, não dei o passo necessário para ler seu recado, que devia ser alguma coisa muito boa. Não quer enviá-lo por uma via mais convencional?