Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Boca Livre - O Trenzinho do Caipira


P.S. A melodia de Heitor Villa-Lobos recebeu letra de Ferreira Gullar (aqui)

4 comentários:

Jamil S.P. disse...

Adoro!
Esta outra me traz tantas recordações bonitas da infância http://www.youtube.com/watch?v=3Brq5uGL5AA

Mariana disse...

"O Trenzinho do Caipira" é muito bonita: eu não entendo de música, e por isso me resguardo de dizer algo sobre a qualidade de sua realização. Mas assim, de ouvido, é uma coisa meio mágica, e talvez por isso tenha encontrado tanta acolhida entre os diferentes intérpretes da MPB.

Como sempre gostei do trabalho do Boca Livre, acho essa uma das interpretações mais líricas, ao encontro da beleza da música.

Ouvi quase tudo do Boca Livre, acho que eles e o MPB4 foram/são os melhores no que se propõem, a coisa do vocal, uma espécie de coro reduzido ao número de quatro componentes.

Zé alberto disse...

Imagens maravilhosas, Mariana, pelo que se revestem do que não existe mais, dos traços da imaginação própria da infância, da beleza do contorno das locomotivas a vapor,...uma verdadeira carícia para a alma.

abraço.

Mariana disse...

Essa música é puro lirismo, poesia. Essa versão da Adriana Calcanhoto, e o vídeo, também estão muito bonitos:

http://www.youtube.com/watch?v=niV9fnI-35s

Parafraseando a Clarice Lispector, crianças são sempre uma surpresa.

Abraço.