Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

um verso de Drummond

Eu sempre me lembro deste verso do Drummond, "sempre esquecidos de alguma coisa", de "Um boi vê os homens" (postado aqui), seu poema que mais aprecio. É que eu sempre estou esquecida de alguma coisa.  

2 comentários:

Jamil S.P. disse...

Gostei do poema, não o conhecia. Fez-me lembrar desta música (por favor não se escandalize com meu gosto musical um tanto eclético) http://www.youtube.com/watch?v=FWg0lh4UD4M

Mariana disse...

Gosto de música caipira, algumas, mas a questão aí, e isso ganha uma expressão fantástica no poema do Drummond, é o que a calmaria dos bois diria de nós, se pudesse falar: "e que impossibilidade (dos homens) de se organizarem em formas calmas, permanentes e necessárias".

Esse poema é daqueles que levo sempre comigo.

9 de fevereiro de 2011 12:44