Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 8 de outubro de 2011

fotografia

Ao conversar com minha irmã mais nova ao telefone, disse-lhe que havia me lembrado dela numa situação única: a primeira vez em que a vi, recém-nascida, voltando do hospital, ainda no carro de meu pai, olhos azuis e o mais lindíssimo. Então ela lamentou não haver nenhum registro fotográfico, luxo esporádico naqueles rincões. Mas ― eu lhe disse ― eu registrei em minha memória.

2 comentários:

Luiz disse...

Lendo seu texto me lembrei de A câmara clara, de Barthes, texto tão bonito quanto o seu. Beijos!

Mariana disse...

Mas o meu texto é tão simples, uma simplicidade que quase me constrangeu de postá-lo. No entanto, como é bom ter essas coisas simples, mínimas, insignificantes com que se distrair.

Não li quase nada do Barthes, nunca consegui entrar em sintonia com o autor, uma pena... o que não me impede de ficar lisonjeada com o elogio. Afinal a palavra beleza não entrou de graça na história. Obrigada! Beijo.