Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sexta-feira, 11 de março de 2011

Bisa Bia, Bisa Bel

“Mas eu já estou me entendendo um pouco 
e às vezes isto me basta.”

Ana Maria Machado. Bisa Bia, Bisa Bel. 3.ed. São Paulo: Salamandra, 2007, p.65.

6 comentários:

Luiz disse...

Sim, ir entendendo só um pouco basta, lançar luz sobre a gente mesmo sem querer muita claridade que nos cegue. Ou como diz a Clarice "É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem". Beijos!

Mariana disse...

O mar que encima este blog é a imagem desse não conhecer, tão mais rico de possibilidades.

Beijos!

Luiz disse...

Pois é, olhei de novo a imagem do mar que v. colocou e preciso enfatizar que tá linda demais...Vontade de mergulhar nesse mar.

Mariana disse...

As mudanças na nossa vida, as importantes, são mais demoradas. Há um tempo já que eu tentava ensaiar uma nova configuração, mas não via como, o layout não ajudava, e os afazeres me levavam para outra direção.

Até que uma hora tive tempo, e fui num site de imagens que já conhecia e saquei esta fotografia. Recortei para enquadrar, testei, deu certo, ficou melhor do que eu imaginava, deu assim uma abertura, uma ampliada de horizontes ao blog, algo que busco sempre.

Obrigada pelo elogio à mudança, a imagem é mesmo linda. Coloquei uma nota no rodapé indicando a fonte, caso você não tenha ainda visto, fica linda ampliada.

Como explicar o mar, a força e o fascínio que ele exerce sobre nós?

josépacheco disse...

como o acaso pode ser simbólico. chegando hoje ao seu blogue, mariana, antes, portanto, de ter lido os últimos textos e comentários, detive-me no mesmo mar. e interroguei-me sobre ele. e perguntei-me «Onde será isto, que mar será este?»; e lembro-me de ter pensado qualquer coisa como: Isto, que se vê na fotografia, é a parte tranquila; mais adiante, tudo é desconhecido, profundo e mais interessante»; logo a seguir, vou lendo os posts - e estes comentários. Não tem importância, mas acho uma coincidência engraçada...

Mariana disse...

José Pacheco, neste link você confere a fonte da imagem. Trata-se de uma praia do Oceano Pacífico.

http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?image=12021&picture=praia-4

Suas considerações acerca do mar e da coincidência são curiosas, pois me parece ser a coisa do fascínio mesmo que o mar exerce. A Clarice Lispector tem uma crônica, que depois se tornou capítulo de um livro seu, que é uma mulher adentrando o mar. Termina assim:

"E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano." (A descoberta do mundo, p.471).