Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


sábado, 12 de março de 2011

da inutilidade de quase tudo

PRE-POSFÁCIO

Poeta sou! cumpro o meu Fado, estranho
Como o dum santo ou um louco:
Só posso dar demais ou muito pouco,
Que é tudo quanto tenho.

Fonte: José Régio: Antologia. Seleção e org. Cleonice Berardinelli. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p.201. 

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