Gosto de imaginar que ilhas significam-se ― fazem-se dizer por signos ― mediante barcos que se aventuram nas águas que as separam, mas também as unem: as águas podem ser oceânicas ou simples veredas, salgadas ou doces, profundas, turbulentas e mais difíceis de navegar, ou arroios cristalinos que escorrem transparentes entre pedras e vegetação de grande frescor. Os barcos, as palavras. E tudo o mais que diz respeito à palavra afeto, no sentido de afetar, atravessar. Escrever e ler são pontas de ilhas que se fazem significar ― os trajetos dependem dos barcos, das ilhas, das águas que as separam. Este blog não pretende nada, exceto lançar barcos que eventualmente alcancem outras ilhas. Barquinhos de papel.


quarta-feira, 9 de março de 2011

cena clássica de Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969)


Butch Cassidy é um faroeste que despe a violência típica do gênero colocando no lugar dois bonitões simpáticos que  assaltam bancos e trens, e conseguem manter a amizade mesmo amando a mesma mulher, que parece preferir o charme de Butch (Paul Newman) mas namora o valentão Sundance (Robert Redford). Os dois, aliás, são o grande trunfo do filme. Sua fuga incansável apenas confirma a sintonia e a amizade. O final em grande estilo sugere uma espécie de moral para a história, que parece ser antes a história de dois homens charmosos e sagazes que roubam pelo prazer de fazê-lo: são ladrões profissionais, ou profissionais do crime. O filme vale pelos bonitões e pelas tiradas de humor, até a última cena. Segundo o livreto da Cinemateca Veja, quando foi lançado o filme não obteve críticas positivas, mas foi um sucesso: rendeu, só nos EUA, perto de 500 milhões de dólares em valores atualizados: "Está entre as 100 maiores bilheterias de todos os tempos e foi uma das maiores na década de 1960 [...] 'Acho que Butch Cassidy fez sucesso porque tem a ver com homens cuja época estava chegando ao fim', arrisca Robert Redford. O fato é que o filme mostou um novo estilo de faroeste, com heróis bem-humorados e falíveis. Heróis que simplesmente resolvem fugir quando estão acuados." Difícil o dilema da mocinha do filme. Não menor o dilema dos que continuaram explorando o gênero. 

[imagem obtida aqui]

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